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‘… Eu pensei que o meu avô era como todas as coisas mais belas do mundo juntas numa só, e que haveria sempre de ser uma árvore frondosa sobre mim, onde os pássaros descansam e o vento sopra, por onde a chuva se coa e a noite esconde as estrelas. Uma árvore sob a qual as flores se plantam sorrindo e o sol incide com ternura e a lua derrama prata em cada noite. Uma árvore à qual as nuvens ensinassem a paciência e a beleza.
Eu pensei que o meu avô me tinha mostrado como entender o coração e como sonhar com o coração para nele guardar cada momento, porque só os momentos nos pertencem verdadeiramente, tudo o resto pertence à natureza, seja feito de madeira ou ferro, pedra ou outra coisa qualquer.
Eu pensei que o meu avô era quem melhor definia a amizade, o amor, a honestidade e a generosidade, o ser-se fiel, educado, o ter-se respeito por cada pessoa e cada coisa. O meu avô era quem fazia o que sabia e podia para que a vida de todos fosse melhor. Eu, enquanto viver, quero nunca me esquecer dele para que, um dia, alguém possa lembrar-se de mim exactamente assim, feito das coisas mais belas do mundo, guardadas dentro de mim, como se também eu fosse um mistério de profunda sabedoria e beleza que é importante descobrir.’
As mais belas coisas do mundo
Valter Hugo Mãe
Alfaguara
2010
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