Vigílias

  1. Search
  2. About
  3. Ask me anything
  4. Subscribe
  5. Archive
  6. Random

Vigílias

'Da nem sempre sublime variedade do Mundo,
da não rara amargura,
do remorso,
de tudo,

dia a dia te nutres, dia a dia te envolves!'

David Mourão-Ferreira

Newer
Older
  • ‘… Eu pensei que o meu avô era como todas as coisas mais belas do mundo juntas numa só, e que haveria sempre de ser uma árvore frondosa sobre mim, onde os pássaros descansam e o vento sopra, por onde a chuva se coa e a noite esconde as estrelas. Uma árvore sob a qual as flores se plantam sorrindo e o sol incide com ternura e a lua derrama prata em cada noite. Uma árvore à qual as nuvens ensinassem a paciência e a beleza.
Eu pensei que o meu avô me tinha mostrado como entender o coração e como sonhar com o coração para nele guardar cada momento, porque só os momentos nos pertencem verdadeiramente, tudo o resto pertence à natureza, seja feito de madeira ou ferro, pedra ou outra coisa qualquer.
Eu pensei que o meu avô era quem melhor definia a amizade, o amor, a honestidade e a generosidade, o ser-se fiel, educado, o ter-se respeito por cada pessoa e cada coisa. O meu avô era quem fazia o que sabia e podia para que a vida de todos fosse melhor. Eu, enquanto viver, quero nunca me esquecer dele para que, um dia, alguém possa lembrar-se de mim exactamente assim, feito das coisas mais belas do mundo, guardadas dentro de mim, como se também eu fosse um mistério de profunda sabedoria e beleza que é importante descobrir.’


As mais belas coisas do mundo
Valter Hugo Mãe
Alfaguara
2010

    ‘… Eu pensei que o meu avô era como todas as coisas mais belas do mundo juntas numa só, e que haveria sempre de ser uma árvore frondosa sobre mim, onde os pássaros descansam e o vento sopra, por onde a chuva se coa e a noite esconde as estrelas. Uma árvore sob a qual as flores se plantam sorrindo e o sol incide com ternura e a lua derrama prata em cada noite. Uma árvore à qual as nuvens ensinassem a paciência e a beleza.

    Eu pensei que o meu avô me tinha mostrado como entender o coração e como sonhar com o coração para nele guardar cada momento, porque só os momentos nos pertencem verdadeiramente, tudo o resto pertence à natureza, seja feito de madeira ou ferro, pedra ou outra coisa qualquer.

    Eu pensei que o meu avô era quem melhor definia a amizade, o amor, a honestidade e a generosidade, o ser-se fiel, educado, o ter-se respeito por cada pessoa e cada coisa. O meu avô era quem fazia o que sabia e podia para que a vida de todos fosse melhor. Eu, enquanto viver, quero nunca me esquecer dele para que, um dia, alguém possa lembrar-se de mim exactamente assim, feito das coisas mais belas do mundo, guardadas dentro de mim, como se também eu fosse um mistério de profunda sabedoria e beleza que é importante descobrir.’

    As mais belas coisas do mundo

    Valter Hugo Mãe

    Alfaguara

    2010

    Posted on October 30, 2011 with 2 notes

    1. moleannan posted this
  • artpixie
  • mediotutissimusibis
  • instagram
  • bookshelfporn
  • bookmania
  • iheartclassics
  • lomographicsociety
  • bohemiadesign
  • a-place-in-the-sun
  • lehellequin
  • poetryeater
  • milucci
  • theartofgooglebooks
  • pusheen
  • fuckyeahlomo
  • jhnmyr
  • staff
  • wordsandeggs
  • sparrowfoot
  • ruipc
  • fuckyeahlomography
  • headnotfound
  • yehyehgrace
  • nunogt
  • aureas-tenebrae2
  • renesp
  • soulitaire

Field Notes Theme. Designed by Manasto Jones. Powered by Tumblr.