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Such a sad machine
- Para o Diogo Vaz Pinto -
‘Talvez hoje, de certa maneira,
eu tenha percebido. Há uma idade
em que acreditamos na poesia,
em que a julgamos (coitados
de nós) a única saída possível.Tocar na capa de um livro ou
numa “suffering jukebox”
torna-se quase a mesma coisa.
O mundo pede-nos desespero
_ e nós tentamos dar-lho.Há uma idade, um desencontro,
um fim sem recomeço que teima
em nomear mortos impartilháveis,
versos longos que celebram o luto
de haver versos, de haver morte.Mas já não é a idade certa, aquela
em que tolerávamos poetas
e poemas que cresceram ao contrário,
por nos ser mais próximo o final da noite,
essa morte retórica que nos embebedava tanto.Não sabíamos, mas acreditávamos
_ na poesia ou noutra merda qualquer
que não viesse sujar o azul das mesas,
esta cor baça que persiste e que
fomos, de comum acordo, dissipando.Uma idade em que nos apetecia ainda
falar de idade, sem futuro nem constrangimentos.
(Deixa-me ao menos pagar-te a cerveja.
Começou a chover. É demasiado tarde
para quem nunca esteve aquie espera, sentado, que lhe digam que morreu.)’
Manuel de Freitas, “A Nova Poesia Portuguesa”
Livraria Poesia Incompleta-
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